SIMPÓSIO de MISSÃO
apresentação
O Centro Internacional de Treinamento Missionário (CITM) trabalha em consonância com o Seminário Concórdia. Para 2026, “o desafio e a oportunidade continuam sendo para Seminário e Faculdade serem guiados pela revelação de Deus na Escritura, com as lentes promovidas pelas Confissões Luteranas, sempre com uma cuidadosa atenção ao lugar e tempo em que vivemos e para os quais são preparados os futuros diáconos e pastores da igreja (LINDEN, Catálogo Acadêmico 2026, p. 5, 6).
Em continuidade com esse propósito do Seminário, em 2026 o CITM realizará simpósios regionais de missão. O tópico em discussão será ‘revitalização de igreja’, lembrando que a vida da igreja reside na pregação do Evangelho e administração dos Sacramentos de forma fiel às Escrituras. A partir desse fundamento, será refletido sobre como melhor estruturar e organizar a congregação e suas atividades, levando em conta seu tamanho, sua localidade e suas dificuldades internas. Além disso, serão discutidos os desafios e oportunidades relativos à cultura contemporânea, buscando melhor instrumentalizar a obra do Espírito Santo de chamar pessoas pelo poder do Evangelho e de congregá-las como rebanho de Cristo.
Missiólogos tem utilizado o termo missio Dei para falar desta característica da ação divina. Um dos motivos claros para o uso deste termo é a afirmação de que quando uma congregação cristã ou indivíduos cristãos falam de missão, eles não devem pensar na missão como algo que lhes pertence (VICEDOM, 1965, p.5-6). Em outras palavras, a Igreja faz missão porque Deus continua ativo em sua obra de salvar.
Infelizmente, facilmente a igreja identifica missão com a sua própria agenda. Sejam eventos evangelísticos ou atividades congregacionais, no momento em que a Igreja perde a noção da missio Dei, ela começa a servir a si própria. Por esta razão, é importantíssima a contribuição do Dr. Schulz quando ele afirma que a missão de Deus está ligada à cruz de Cristo (SCHULZ, 2009, p.78). Não é a Igreja quem escolhe o que falar ou o que fazer enquanto em missão, e sim o próprio Deus. Não se quer ignorar com isso questões culturais importantes. A Igreja precisa pensar sobre maneiras de se comunicar apropriadamente. O ponto em questão, porém, é que a Igreja faz em missão aquilo que Deus lhe ordena fazer. Isso é assim porque a missão é de Deus, e não da Igreja ou de indivíduos.
Como discutido acima, a missão é algo que pertence a Deus e cuja mensagem é estabelecida pelo próprio Deus. A proposta do X Simpósio Internacional de Missão é debater sobre como estas duas realidades acerca da missão refletem na identidade da igreja. Esta é a razão para falarmos na missão de Deus como marca da Igreja. Em outras palavras, a palavra marca aqui designa um aspecto da identidade da Igreja.
O título e tema do Simpósio tem como inspiração a breve menção feita pelo Dr. Klaus Detlev Schulz sobre as marcas da igreja conforme entendidas por Lutero em seu texto Dos Concílios e da Igreja de 1539. Em seu artigo, Schulz está refletindo sobre a missão como uma nota ecclesia. A sua reflexão é baseada nos artigos 7 e 8 da Confissão de Augsburgo. A certa altura, porém, Schulz recorda que, quando Lutero fala das sete marcas da Igreja, ele não pontua a missão como uma destas marcas (SCHULZ, 2021 p.16). Ele não sugere com isso que Lutero não compreendesse a missão dentro destas sete marcas. No entanto, compreendemos que o assunto seja importante e merece maior atenção.
Por pouco o simpósio não adotou o título “Missão: a oitava marca da Igreja”. As razões para não termos seguido nesta linha são pelo menos duas. Primeiro, consideramos que, quando Lutero aponta as sete marcas da igreja, ele não exclui a missão. É verdade também que Lutero não parece desejar ser exaustivo em sua lista, mas ele quer sim identificar o que define em essência a Igreja de Deus. Por essa razão não cabe a nós esticar a lista sem o devido critério, pois, senão, já não saberemos mais o que faz parte da essência da igreja. Em segundo lugar, falar em oitava marca em uma lista poderia dar a impressão de algo que está em último lugar. Isso certamente pode ser explicado em um artigo ou no próprio Simpósio, mas desejávamos que o título do Simpósio não fosse mal compreendido. Para que tivéssemos esta fundamentação teórica bem desenvolvida, foi convidado o Dr. César Rios para refletir sobre a essência da igreja destacando o lugar da missão.
A urgência do assunto demonstra-se na teoria e na prática. Precisamos nos perguntar se a missão da igreja deve ser vista como um departamento dentro da igreja ou se ela é algo de caráter essencial. Para este fim, o vice-presidente de Educação Cristã da IELB, o Pr. Fernando E. Garske reflete sobre como as demais marcas da igreja conversam com a missão da igreja. Uma vez que a missão é algo essencial da igreja, seria uma contradição abrir mão daquilo que é essencial à igreja na prática da missão.
Após esta reflexão mais teórica sobre a missão como marca da igreja e como esta marca se relaciona com as demais marcas da igreja, o simpósio traz aplicações práticas deste conteúdo. Este é o caráter das palestras dos pastores Lucas P. Graffunder, Mário R. Y. Fukue e do professor Leonidio Goerl. Graffunder refletirá sobre o tema da plantação de igrejas. Fukue, por sua vez, trará um foco mais no indivíduo cristão uma vez que refletirá sobre a relação entre a vocação cristã e a missão. Goerl a seu tempo refletirá sobre a revitalização da igreja. Este tópico nos dará a oportunidade de refletir sobre a constante obra de Deus no mundo, mas não apenas entre aqueles que estão perdidos em seus pecados, antes também entre aqueles que potencialmente podem se perder.
Finalmente, o Dr. Samuel Fuhrmann traz em sua reflexão uma importante conexão entre identidade e intencionalidade. Sua abordagem tem como objetivo ajudar a Igreja a perceber os diversos desafios impostos a ela na prática da missão e como, no momento em que ela abandona os princípios missionários, ela perde também sua própria identidade. Sua contribuição nos ajuda a perceber que, ainda que a missão seja algo natural/essencial da igreja, isso não quer dizer que devemos deixá-la simplesmente acontecer sem qualquer preocupação. A missão da igreja é algo sobre a qual, em essência, a igreja não decide fazer ou não fazer. Por outro lado, a igreja não pode encarar a missão como algo automático sobre a qual ela não precisa pensar ou planejar. Em outras palavras, a missão da igreja precisa ser intencional.
CITM 2026 – Simpósios regionais
“Revitalização de igreja” à luz da obra de chamar e congregar pessoas pelo poder do Evangelho
Evento em São Paulo:
Dia 30/06
- 14:00: Abertura e devoção inicial
- 14:30: A IELB e seus desafios e oportunidades na atualidade (Rev. Heder Gummz)
- 15:30: Intervalo
- 15:45: A importância do “corpo doutrinário” para a vida do “corpo de Cristo”: uma abordagem luterana à revitalização de igreja (Rev. Samuel Fuhrmann)
- 16:45: Intervalo
- 17:00: Ministério, Missão e Estrutura de Igreja (Rev. David Peter)
- 18:45: Janta (encerrando a programação do dia)
Dia 01/07
- 8:30: Ministério, Missão e Estrutura de Igreja (Rev. David Peter)
- 9:30: Intervalo
- 9:45: Ministério, Missão e Estrutura de Igreja (Rev. David Peter)
- 10:30: Discussão em grupos (a partir de questões pré-estabelecidas)
- 11:00: Painel de discussão com os três palestrantes
- 11:45: Palavras finais e encerramento.